Voleta de Beth Stockler

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Rio de Janeiro, R.J, Brazil
Brasileira,advogada,escritora, jornalista,artista plástica. Escrevi meu primeiro livro "A VOLÚPIA DE VOLETA " em homenagem as mulheres de espírito livre. Acabei de escrever o livro "CHIQUINHA E EU - REINVENTANDO O PASSADO", o lançamento está previsto para inicio de 2010. "VOLETAR" para mim é assumir a alma de Voleta. Liberdade de ser interior, fidelidade a seus principios, amar-se sempre, viver apaixonadamente, ser intensa e ABSOLUTA ,independente de todas as contradições que trazemos dentro de nós mesmas. Voletar é ser Voleta... Leiam o livro, acho que vão gostar de encontrar a Voleta que existe em todas nós mulheres e é hora de assumi-la !!!!

sábado, 28 de junho de 2014

Programa RODA VIVA com grandes mulheres brasileiras - Recomendo !!!!



Imperdíveis as Entrevistas de 2014 no
Programa Roda Viva da TV CULTURA



Três mulheres da melhor estirpe, para se ver, ouvir e rever!

Elas deram um show de Inteligência, Cultura, Sensibilidade,
Coragem, Franqueza, Fôrça, Sucesso,Simplicidade, Ternura....  e muito mais.

                    Adélia Prado
                  Irene Ravache
                   Nélida Piñon


Três representantes femininas que nos deixam orgulhosas!!!

www.youtube.com/watch?v=amxW1k6coMo
► 25:01► 25:01




Clarice Lispector....do livro " Aprendendo a Viver " - um livro de puro encantamento!

           


                 ESTADO DE GRAÇA ( trechos)



"As descobertas nesse estado são indizíveis e incomunicáveis.É por isso

que, em estado de graça, mantenho-me sentada, quieta,silenciosa.É como
uma anunciação.............. é como se o anjo da vida viesse me anunciar o mundo.
Depois, lentamente, se sai............sai-se devagar, com um suspiro de quem teve o mundo como este é. Também já é um suspiro de saudade........ Inútil querer:só vem quando quer e espontaneamente.
............................................................
Deus sabe o que faz: acho que está certo o estado de graça não nos ser dado
frequentemente.....................................
Também é bom que não venha tantas vezes quanto eu queria. Porque eu poderia me habituar à  felicidade - esqueci de dizer que em estado de graça se é muito feliz - Habituar-se à felicidade seria um perigo. Ficaríamos mais egoístas, porque as pessoas felizes o são, menos sensíveis à dor humana,
não sentiríamos a necessidade procurar ajudar os que precisam - tudo por
termos na graça a compensação e o resumo da vida.
............................................................
Não, mesmo que dependesse de mim, eu não quereria ter com muita frequência o estado de graça. Seria como cair num vício, iria me atrair como o vício, e eu me tornaria contemplativa como os fumadores de ópio.
.............................................................
Sai-se do estado de graça com o rosto liso, os olhos abertos e pensativos e, embora não se tenha sorrido, é como se o corpo todo viesse de um sorriso suave. E sai-se melhor criatura do que se entrou. Experimentou-se alguma coisa que parece redimir a condição humana, embora ao mesmo tempo fiquem acentuados os estreitos limites dessa condição.E exatamente porque depois da graça a condição humana se revela na sua pobreza implorante, aprende-se a amar mais, a perdoar mais, a esperar mais. Passa-se a ter uma espécie de confiança no sofrimento e em seus caminhos tantas vezes intoleráveis.
Há dias que são tão áridos e desérticos que eu daria anos de minha vida em troca de um minuto de graça."

"Aprendendo a Viver"

    Editora Rocco


M A R A V I L H A !!!!!!!!!!!! 


Criatividade, Sensibilidade, Simplicidade = Genialidade

Assim, apenas, Clarice...

sábado, 17 de maio de 2014

"1889" de Laurentino Gomes





Nasci em 15 de novembro... um dia marcado pelo feriado da Proclamação da República.
E sempre me declarei monarquista. Sempre admirei a Família Imperial.
Sou fã declarada de Dom João VI, de Dom Pedro I e tenho imenso carinho
pelo o Imperador Pedro II e a Princesa Isabel do Brasil.
Meus antepassados eram monarquistas, em sua maioria. Mas um bisavô,
que admiro muito, Alexandre Stockler Pinto de Menezes foi republicano.
Esse era conhecido por uma personalidade boníssima e coração de ouro.
No entanto, republicano. Para mim isso foi estranho. Descoberta que tomei
conhecimento quando pesquisava para escrever o meu livro:
 " Chiquinha & Eu - Reinventando o Passado". Juro que fiquei perplexa.
Como ele conseguiu sozinho, no meio de uma família monarquista
atuante, mudar o rumo do seu leme sem turbulências? Era Deputado e participou
de forma ativa na defesa de seus ideais. Foi companheiro de Bezerra de
Menezes e isso explica também o seu coração humanista e a preocupação 
com os menos favorecidos ter sido um exercício constante.

E voltando ao maravilhoso livro do Professor Laurentino Gomes, mínimo
a dizer é que fiquei encantada.
Parecia que eu estava ali e vivia aquele período. Tantos personagens que
passaram em fotos pelas minhas mãos na recente pesquisa... 
Na noite da grande festa fiquei triste... terminava o meu sonho, chegava o fim
a Monarquia brasileira. E a festa era a premonição do fim, a despedida.
O fim do Império. A República com a sua chegada meio fanfarrona,
num ataque de insegurança afetiva do General Deodoro da Fonseca,
não vem com brilho.  E, não me ajudou a despedir da Família Imperial
ou a sofrer menos pensando numa mudança para o melhor...
Para mim os 67 anos de Império, especialmente, o período de D.João VI, que
já foi motivo de absurdo deboche em filme, foi o melhor período de crescimento
do nosso Brasil. 
Até hoje... os prédios e monumentos mais bonitos, principalmente aqui
no Rio de Janeiro, levam em sua história a marca desse grande Monarca.
Sem esquecer do meu orgulho paradisíaco, o Jardim Botânico !!!
Recomendo os três grandes livros do autor com a história do
Império no Brasil. Imperdíveis.

Parabéns Prof. Laurentino Gomes, realmente um Mestre !!!

Editora Globo Livros


"A Mulher Que Inventou a Beleza" - A vida de Helena Rubinstein

Adoro biografias. Essa é uma biografia especial. Helena Rubinstein  - sim, uma mulher forte. Uma personalidade inquieta, inovadora, dedicada, empreendedora e mais, numa época em que poucas mulheres ocupavam destaque no mundo dos negócios multinacionais. Sua matéria prima: a Beleza. Ela não tinha preconceito ao novo na arte, no vestir, no uso de acessórios e também na decoração. Criou uma identidade e se fez marca. Tomou conta do mundo da Beleza e influenciou as mulheres com sua perspicácia e inteligência criativa, sempre muito além do seu tempo. 
Talvez por isso tenha sido influenciada pelo movimento surrealista que se expandia. Seu olhar era livre em absorver a beleza, sem compromisso com preceitos estéticos consagrados.

"todos os dias ela tem de encarar, refletir, inovar e ainda se perguntar continuamente:

- O que querem as mulheres?
é a pergunta preferida dos publicitários e dos costureiros, dos perfumistas, dos modistas, dos criadores, dos sapateiros, dos peleteiros, dos esteticistas, de toda a gigantesca indústria a serviço da beleza. A resposta é simples: nesses tempos difíceis, as mulheres têm, antes de tudo, sede de pequenos prazeres, de distrações e de sedução."

 "WE CAN DO IT"


  proclamam os cartazes em que ela aparece de macacão... 


  e ainda: " O batom continua o melhor dos antidepressivos"

 um dos lemas: 

 "Never complain never explain " - nunca se lamentar, nunca se explicar

 enfim, recomendo. Um ótimo livro.


autora: Michèle Fitoussi


Editora Objetiva




sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

"Ciranda da Mulheres Sábias" - um pequeno livro, de pura sensibilidade - um livro não só para mulheres, mas especial para nós!




Trecho do capítulo :A história da contadora de histórias

"Em algum ponto na sua genealogia há pessoas semelhantes àquelas  sobre as quais vou falar. Você é a herdeira. Mesmo que não as tenha conhecido, que nunca tenha se encontrado com elas, suas ancianas, suas sábias antepassadas, existem.Todas nós pertencemos a uma linhagem longuíssima de pessoas que se tornaram lanternas luminosas a balançar na escuridão, iluminando o próprio caminho e os passos de outras. Elas conseguiram isso por meio da decisão de não desistir, por suas exigências de que o outro sumisse da sua frente, por sua atitude previdente de esperar até que o outro não estivesse olhando, pela sabedoria de ser como a água e descobrir como passar pelas menores fendas ou por sua tranquila determinação de abaixar a cabeça e simplesmente pôr um pé diante do outro até conseguir chegar aonde quer.
Suas luzes continuam a oscilar no escuro... através de nós... pois, com uma única tirinha de palha , podemos acender nosso fogo a partir do fogo delas... ter inspirações a partir das suas inspirações. Nós somos as herdeiras. Desse modo, nós também aprendemos a passar oscilantes pela escuridão.Uma mulher assim iluminada não consegue encontrar o próprio caminho à luz de uma vela ou à luz da estrelas, sem também lançar luz para outras."

e ainda, vejam ... que lindo:


" Receber a bênção para viver de verdade...

"Ande, sim, seja a força que você  está destinada a ser... Ande, sim, viva como um ser pleno o tempo todo,  até seus limites mais distantes." 

Uma bênção não faz que você ganhe alguma coisa, mas, na verdade, faz com que você use alguma coisa - algo que você possui - o  dom que nasceu junto com você no dia em que você chegou à Terra."

e ainda mais:

"...essa força interior atua como uma grand mère, a maior das avós, a essência da sanidade e da sabedoria da alma que sempre nos guia e que jamais nos abandonará.
Essa fonte misteriosa é vivenciada por meio daqueles conhecimentos nítidos e úteis que parecem chegar inesperadamente e por intermédio de origens invisíveis; em sonhos noturnos ousadamente explícitos ou intricadamente emaranhados; em explosões  de energias e idéias eficazes que surgem aparentemente do nada; na súbita certeza de que está sendo chamada para algo que necessita  do nosso amor, dos nossos pontos de vista ou dos nossos toques; na inesperada determinação de interferir, dar as costas ou caminhar naquela direção. Como a velha sábia que aparece de repente em contos, essa fonte que guarda o estopim dourado se manifesta mediante exortações interiores para que atuemos discretamente ou com exuberância; no impulso perspicaz de criar mais uma vez, valorizar mais fundo, consertar melhor, proclamar mais longe, proteger a vida nova"...
"A prova dessa fonte sábia e misteriosa, nas raízes, é o que sempre se encontra em mulheres que estão aprendendo e que anseiam aprender mais, que desenvolvem uma visão interior, que seguem intuições, que não serão impedidas de prosseguir nem silenciadas, que, a respeito de coisas profundas ou glórias que pareçam à primeira vista intimidantes, não dizem..." Isso eu não posso fazer", mas preferem perguntar a si mesmas: " O que eu preciso reunir para poder fazer isso?"

"... se você viver sua vida profundamente a seu próprio modo e da melhor forma possível, sua vida passa a ser não apenas um exemplo, mas um banquete para outras - uma abundância que, entre os justos e plenos de coração, há de voltar para você multiplicada por mil. Nós encontramos nossos modelos bem perto ou a certa distância, mas o efeito é o mesmo."


Trechos do livro " Ciranda das Mulheres Sábias" -
ser jovem enquanto velha, velha enquanto jovem

ps. A autora escreveu o livro "Mulheres que correm com os lobos"
um grande sucesso também no meio do público feminino.

de autoria de Clarissa Pinkola Estés
Editora Rocco

Nelson Rodrigues... em texto sobre o Teatro/ Nelson é direto e verdadeiro, de raciocínio claro, perfeito, não usa meias palavras. Uma leitura e tanto!

".... O romancista pode imaginar e escrever tudo que entenda, tudo que seja  essencial à sua obra é passível de ser convertido em romance. O mesmo sucede com o poeta. O autor não está preso, amarrado, limitado.
Por isso é que o teatro está ainda na pré-história.
Seria o cúmulo do absurdo, seria um escândalo de ousadia pôr em cena uma tragédia, um personagem defecando, com toda a dignidade. O autor que ousasse tanto, ainda que obedecendo a necessidade genuína de sua criação, seria apedrejado. No romance, porém, isso já não constitui novidade, é perfeitamente aceitável. O teatro não terá se libertado enquanto não vencer esses preconceitos.
O publico é o número, é o ajuntamento, é a soma de indivíduos. É, portanto, a anulação do bom espectador, do único  possível e desejável, aquele que esteja em solidão. Somente sozinho o homem é capaz de compreender, de receber uma obra com inteligência e sensibilidade. Nunca houve inteligência coletiva, trezentas pessoas reunidas constituem um bloco monolítico de incompreensão, frequentemente de estupidez.
É preciso, antes de tudo, eliminar o público. Creio firmemente que os próprios intérpretes, ou mesmo todos os elementos da representação, diretor, cenógrafo, atores, etc., toda essa gente não faz mais que obstruir a obra do dramaturgo e desfigurar-lhe a realidade autêntica.
A vantagem do leitor é exatamente esta, estar só. O autor precisa dessa solidão do leitor, para atingi-lo.
É tão idiota dizer que o teatro precisa, necessariamente, de ser representado como é imbecil dizer que o poema, para alcançar o leitor, precisa ser visualizado materialmente. O leitor de um romance quando lê que está chovendo não exige, para sua compreensão da cena,  que lhe derramem um balde de água pela cabeça abaixo! O teatro dispensa o espectador.
Suponhamos que um autor ponha numa peça todo um exército. O leitor consegue, pela simples sugestão, imaginar o que deseja o dramaturgo. Transposta a peça para o palco, não teríamos um exército, mas um carnaval, um rancho em cena! Nunca o palco há de comportar uma batalha, que cabe no texto com uma simples indicação:BATALHA. Eis porque o espetáculo é sempre, inevitavelmente, uma redução, uma violentação, um empobrecimento. Em última análise, é uma castração."


"Tive textos totalmente impedidos, que não vou citar porque todo mundo sabe, e nunca mudei nem pretendo mudar uma vírgula sequer. ".....

" .... O artista não tem que ceder nunca. Tem que ser irredutível. Nos países socialistas, o único indivíduo livre é o  suicida: o sujeito mete uma bala na cabeça e assim consegue sua liberdade."


textos do livro " Nelson Rodrigues por ele mesmo"
Organização de Sonia Rodrigues
Editora Nova Fronteira